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1744–1810

Lira XXIX

Tomás Antônio Gonzaga

O tirano Amor risonho Me aparece e me convida Para que seu jugo aceite; E quer que eu passe em deleite

O resto da triste vida. “O sonoro Anacreonte (Astuto o moço dizia) “Já perto da morte estava,

“Inda de amores cantava; “Por isso alegre vivia. “Aos negros, duros pesares “Não resiste um peito fraco

“Se o amor o não fortalece: “O mesmo Jove carece “De Cupido, e mais de Baco.” Eu lhe respondo: “Perjuro,

“Nada creio do que dizes; “Porque já te fui sujeito, “Inda conservo no peito “Estas frescas cicatrizes.

“Se o mundo conhece males, “Tu os maiores fizeste, “Sim, tu a Troia queimaste, “Tu a Cartago abrasaste,

“E tu a Antônio perdeste.” Amor, vendo que da oferta Algum apreço não faço, Me diz afoito que trate

De ir com ele a combate Peito a peito, braço a braço. Vou buscar as minhas armas; Cinjo primeiro que tudo

O brilhante arnês, e à pressa Ponho um elmo na cabeça, Tomo a lança, e o grosso escudo. Mal no campo me apresento,

Marília (oh Céus!) me aparece: Logo que os olhos me fita, O meu coração palpita, A minha mão desfalece.

Então me diz o tirano: “Confessa, louco, o teu erro; “Contra as armas da beleza “Não vale a externa defesa

“Dessa armadura de ferro.”

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