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1744–1810

Lira XXIII

Tomás Antônio Gonzaga

Num sítio ameno Cheio de rosas, De brancos lírios, Murtas viçosas;

Dos seus amores Na companhia Dirceu passava Alegre o dia.

Em tom de graça Ao terno amante Manda Marília Que toque, e cante.

Pega na lira, Sem que a tempere, A voz levanta, E as cordas fere.

C’os doces pontos A mão atina, E a voz iguala À voz divina.

Ela, que teve De rir-se a ideia, Nem move os olhos De assombro cheia:

Então cupido Aparecendo, À Bela fala Assim dizendo:

“Do teu amado “A lira fias, “Só porque dele “Zombando rias?

“Quando num peito “Assento faço, “Do peito subo “À língua, e braço.

“Nem creias que outro “Estilo tome, “Sendo eu o mestre, “A ação teu nome.”

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