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1744–1810

Lira XXII

Tomás Antônio Gonzaga

Por morto, Marília, Aqui me reputo: Mil vezes escuto O som do arrastado,

E duro grilhão. Mas, ah! que não reme, Não treme de susto O meu coração.

A chave lá soa Na porta segura; Abre-se a escura, Infame masmorra

Da minha prisão. Mas, ah! que não treme, Não treme de susto O meu coração.

Já o Torres se assenta; Carrega-me o rosto; Do crime suposto Com mil artifícios

Indaga a razão. Mas, ah! que não treme, Não treme de susto O meu coração.

Eu vejo, Marília, A mil inocentes, Nas cruzes pendentes Por falsos delitos,

Que os homens lhes dão. Mas, ah! que não treme, Não treme de susto O meu coração.

Se penso que posso Perder o gozar-te, E a glória de dar-te Abraços honestos,

E beijos na mão. Marília, já treme, Já treme de susto O meu coração.

Repara, Marília, O quanto é mais forte Ainda que a morte, Num peito esforçado,

De amor a paixão. Marília, já treme, Já treme de susto O meu coração.

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