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1744–1810

Lira XXI

Tomás Antônio Gonzaga

Que diversas que são, Marília, as horas, Que passo na masmorra imunda, e feia, Dessas horas felizes, já passadas Na tua pátria aldeia!

Então eu me ajuntava com Glauceste; E à sombra de alto Cedro na campina Eu versos te compunha, e ele os compunha À sua cara Eulina.

Cada qual o seu canto aos Astros leva; De exceder um ao outro qualquer trata; O eco agora diz: Marília terna; E logo: Eulina ingrata.

Deixam os mesmos Sátiros as grutas. Um para nós ligeiro move os passos; Ouve-nos de mais perto, e faz flauta C’os pés em mil pedaços.

Dirceu, clama um Pastor, ah! bem merece Da cândida Marília a formosura. E aonde, clama o outro, quer Eulina Achar maior ventura?

Nenhum Pastor cuidava do rebanho, Enquanto em nós durava esta porfia. E ela, ó minha Amada, só findava Depois de acabar-se o dia.

À noite te escrevia na cabana Os versos, que de tarde havia feito; Mal tos dava, e os lia, os guardavas No casto e branco peito.

Beijando os dedos dessa mão formosa, Banhados com as lágrimas do gosto, Jurava não cantar mais outras graças, Que as graças do teu rosto.

Ainda não quebrei o juramento, Eu agora, Marília, não as canto; Mas inda vale mais que os doces versos A voz do triste pranto.

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