Enquanto pasta alegre o manso gado, Minha bela Marília, nos sentemos À sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos
Na regular beleza, Que em tudo quanto vive, nos descobre A sábia natureza. Atende, como aquela vaca preta
O novilhinho seu dos mais separa, E o lambe, enquanto chupa a lisa teta. Atende mais, ó cara, Como a ruiva cadela
Suporta que lhe morda o filho o corpo, E salte em cima dela. Repara, como cheia de ternura Entre as asas ao filho essa ave aquenta,
Como aquela esgravata a terra dura, E os seus assim sustenta; Como se encoleriza, E salta sem receio a todo o vulto,
Que junto deles pisa. Que gosto não terá a esposa amante, Quando der ao filhinho o peito brando, E refletir então no seu semblante!
Quando, Marília, quando Disser consigo: “É esta “De teu querido pai a mesma barba, “A mesma boca, e testa.”
Que gosto não terá a mãe, que toca, Quando o tem nos seus braços, c’o dedinho Nas faces graciosas, e na boca Do inocente filhinho!
Quando, Marília bela, O tenro infante já com risos mudos Começa a conhecê-la! Que prazer não terão os pais ao verem
Com as mães um dos filhos abraçados; Jogar outros luta, outros correrem Nos cordeiros montados! Que estado de ventura!
Que até naquilo, que de peso serve, Inspira Amor, doçura.
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