Alma digna de mil Avós Augustos! Tu sentes, tu soluças, Ao ver cair os justos; Honras as santas leis da Humanidade:
E os teus exemplos deve Gravar com letras de ouro no seu Templo A cândida Amizade. Não é, não é de Herói uma alma forte,
Que vê com rosto enxuto No seu igual a morte. Não é também de Herói um peito duro, Que a sua glória firma
Em que lhe não resiste ao ferro, e fogo, Nem legião, nem muro. Oh! quanto ousado Chefe me namora, Quando vê a cabeça
Do bom Pompeu, e chora! É grande para mim, quem move os passos, E de Dario aos filhos, Que como escravos seus tratar pudera,
Recebe nos seus braços. Se alcança Eneias, capitão piedoso, Entre os Heróis do Mundo Um nome glorioso,
Não é, porque levanta uma cidade; É sim, porque nos ombros Salvou do incêndio ao Pai, a quem destina A mão de longa idade.
Ah! se ao meu contrário entre as chamas vira, Eu mesmo, sim, da morte Aos ombros o remira. Inda por ele muito mais obrara.
E se nada servisse, Fizera então, Amigo, o que fizeste; Gemera, e suspirara. Oh! quanto são duráveis as cadeias
De uma amizade, quando Se dão iguais ideias! Se apesar dos estorvos se sustinha Nossa união sincera,
Foi por ser a minha alma igual à tua, E a tua igual à minha. Se o caro Amigo te merece tanto, Lá lhe fica a sua alma,
Limpa-lhe o terno pranto. De quem eu falo, és tu, Marília bela. Ah! sim, honrado Amigo, Se enxugar não puderes os seus olhos,
Pranteia então com ela.
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