Não cria no hipnotismo
O Nicolau de Assumpção,
E dizia com cinismo
Que quem crê não tem razão.
Mas um dia um seu amigo
A certa casa o levou,
Onde, para seu castigo,
Uma sessão encontrou.
Que sonâmbula supimpa!
Diz cousas do arco da velha,
Faz cousa bonita e limpa,
Parece até que tem telha.
O Nicolau se adianta,
E, com a descrença em que vai,
Tosse, ri-se, a voz levanta
E diz: — “Onde está meu pai?”
A sonâmbula procura...
Procura... procura... e diz:
— “Seu pai ’stá na Cascadura
No botequim do Luiz.”
Nicolau grita: “— Eu não disse?”
Ora, não lhes digo eu
Que o hipnotismo é uma tolice!
Meu pai, sabem? já morreu...”
Presta a sonâmbula ouvido
E volve: “Ninguém o estranhe:
Quem morreu foi o marido
Da senhora sua mãe.”