Skip to content
1867–1909

VELHO CONTO

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Não cria no hipnotismo O Nicolau de Assumpção, E dizia com cinismo Que quem crê não tem razão.

Mas um dia um seu amigo A certa casa o levou, Onde, para seu castigo, Uma sessão encontrou.

Que sonâmbula supimpa! Diz cousas do arco da velha, Faz cousa bonita e limpa, Parece até que tem telha.

O Nicolau se adianta, E, com a descrença em que vai, Tosse, ri-se, a voz levanta E diz: — “Onde está meu pai?”

A sonâmbula procura... Procura... procura... e diz: — “Seu pai ’stá na Cascadura No botequim do Luiz.”

Nicolau grita: “— Eu não disse?” Ora, não lhes digo eu Que o hipnotismo é uma tolice! Meu pai, sabem? já morreu...”

Presta a sonâmbula ouvido E volve: “Ninguém o estranhe: Quem morreu foi o marido Da senhora sua mãe.”

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
VELHO CONTO · Sebastião Cícero dos Guimarães Passos · Poetry Cove