Caiu para traz o Arruda,
Sem dar acordo de si,
E foi um Deus nos acuda,
Espanto assim nunca vi.
Veio o médico vizinho,
Examina-o com cuidado.
E logo, num instantinho,
Passa da morte o atestado.
Choros, gritos, faniquitos,
Padres, velas, cantochão,
E metem, todos aflitos,
O defunto no caixão.
A viúva o corpo lhe vela,
Chorando como um bezerro,
(Quem viu magoa como aquela?)
Lá vai a sair o enterro.
Mas Arruda (olha que espanto!)
Abre os olhos, falia e diz,
E diz p’ra mulher em pranto:
— “‘Stou vivo! Como és feliz!”
Encara-o a viúva sentida
E, com as lágrimas no rosto:
— “Que vida, meu Deus, que vida!
Sempre hás de me dar desgosto!”