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1867–1909

VELHO CONTO

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Caiu para traz o Arruda, Sem dar acordo de si, E foi um Deus nos acuda, Espanto assim nunca vi.

Veio o médico vizinho, Examina-o com cuidado. E logo, num instantinho, Passa da morte o atestado.

Choros, gritos, faniquitos, Padres, velas, cantochão, E metem, todos aflitos, O defunto no caixão.

A viúva o corpo lhe vela, Chorando como um bezerro, (Quem viu magoa como aquela?) Lá vai a sair o enterro.

Mas Arruda (olha que espanto!) Abre os olhos, falia e diz, E diz p’ra mulher em pranto: — “‘Stou vivo! Como és feliz!”

Encara-o a viúva sentida E, com as lágrimas no rosto: — “Que vida, meu Deus, que vida! Sempre hás de me dar desgosto!”

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