A mulher do Zé Vicente,
Formoso ninho de encantos,
Muito dengosa e indolente,
Andava constantemente
A espreguiçar-se nos cantos.
“Vai trabalhar, mandriona!”
Bradava o marido mau,
Saltando nela, a tapona,
Fazendo-a ver uma fona,
Com grandes sovas de pau.
Com tanto e tanto levar,
Ela a emendar-se se exorta,
Resolvida a trabalhar,
Numa noite de luar,
Lá foi com o Mateus à horta...
Já tinham cantado os galos,
— Como ela tomara emenda! —
Quando o Zé foi encontrá-los:
— A moça a regar-lhe os talos,
O outro a regar-lhe a fazenda!