Fora Cândido homem duro,
Feroz sebastianista,
Porém já estava maduro,
Já tinha abaixado a crista.
No tempo da mocidade
Fora um pelintra de truz,
Mas hoje, que iniquidade!
Anda seboso... Jesus...!
Sabe às vezes sem gravata,
Outras vezes sem chapéu,
Tem ares de patarata,
Parece que já morreu.
Mas outro dia, que graça!
Um amigo o caso viu,
E contou-me esta chalaça
Que de tal porco saiu.
Estava ele num salão,
Como sempre relaxado,
Cândido mole e poltrão,
Todo desabotoado.
— “Que é isso, seu conselheiro?
Disse-lhe alguém de repente,
Ou ponha-se no terreiro,
Ou tome modo de gente.”
— “Eu, diz ele, é que pergunto
Se é alguma inovadela
Nas casas que há defunto
Trazer-se aberta a janela?”