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1867–1909

PRETENDENTE

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

O Rego saiu voando, À procura de um emprego, E entrou como um fuso o Rego Em casa de um venerando

Chefe político que era, Entre os grandes funcionários, Um dos mais extraordinários, Um trunfo, um dégas, um cuéra,

E já puxa a campainha, E já lá vem o porteiro, Que, vendo o Rego lampreiro, Cousa nenhuma adivinha,

(O que ali levava o Rego Era pedir proteção, Pedir recomendação Para obter qualquer emprego).

— “O conselheiro?” — “Senhor, Há três minutos, apenas, Acabaram-se-lhe as penas: Rendeu a alma ao Criador.”

— “Que perda horrível! (murmura O Rego, com a mão no peito) Nunca houve homem tão perfeito... Morre uma grande figura.”

Mas pisando o patamar, Dizia com convicção: — “Vim pedir-lhe proteção... E ele me deixa o lugar.”

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