O Rego saiu voando,
À procura de um emprego,
E entrou como um fuso o Rego
Em casa de um venerando
Chefe político que era,
Entre os grandes funcionários,
Um dos mais extraordinários,
Um trunfo, um dégas, um cuéra,
E já puxa a campainha,
E já lá vem o porteiro,
Que, vendo o Rego lampreiro,
Cousa nenhuma adivinha,
(O que ali levava o Rego
Era pedir proteção,
Pedir recomendação
Para obter qualquer emprego).
— “O conselheiro?” — “Senhor,
Há três minutos, apenas,
Acabaram-se-lhe as penas:
Rendeu a alma ao Criador.”
— “Que perda horrível! (murmura
O Rego, com a mão no peito)
Nunca houve homem tão perfeito...
Morre uma grande figura.”
Mas pisando o patamar,
Dizia com convicção:
— “Vim pedir-lhe proteção...
E ele me deixa o lugar.”