Skip to content
1867–1909

PRESENTE DE ANOS

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Diz à mulher o Vicente: — “Tu não achas, meu amor, Que hoje, anos do professor, Devemos dar-lhe um presente?”

— “Com certeza, ele é tão bom, Trata tão bem o Juquinha... Já era lembrança minha, Mandarmos, que é do bom tom.”

— “Que deve ser? Vamos, fala: Um bom livro, alguma joia, Aquele quadro de Goya, Um cachimbo, uma bengala...?”

E discutem, todo o almoço, Que presente deve ser; E já, de tanto escolher, Vão formando um alvoroço.

Juquinha, que escuta quieto, Tão tola e simples questão, P’ra acabar a discussão, Apresenta este projeto:

— “Nada de presentes finos. Deem cousa que mate a fome: Que ele é tão pobre, que come Nas panelas dos meninos.”

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.