Um filósofo dizia
A um seu amigo querido,
Que jamais compreendia
Como um amante queria
Sempre o gozo repetido.
— “É um abuso! E eu sempre vejo
A mesma cousa gozada
Ter sempre maior desejo.
Pois se o beijo é o mesmo beijo,
O beijo não vale nada...
Onde está a novidade?
O que li ontem foi, hoje é.
Falo com sinceridade:
Não compreendo a vontade...
Você que diz, seu José?”
Diz o outro: — “Seu Raymundo,
Cada qual tem sua norma
De gozar por este mundo:
A mesma cousa no fundo,
É diferente na forma”.