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1867–1909

OPINIÕES

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Um filósofo dizia A um seu amigo querido, Que jamais compreendia Como um amante queria

Sempre o gozo repetido. — “É um abuso! E eu sempre vejo A mesma cousa gozada Ter sempre maior desejo.

Pois se o beijo é o mesmo beijo, O beijo não vale nada... Onde está a novidade? O que li ontem foi, hoje é.

Falo com sinceridade: Não compreendo a vontade... Você que diz, seu José?” Diz o outro: — “Seu Raymundo,

Cada qual tem sua norma De gozar por este mundo: A mesma cousa no fundo, É diferente na forma”.

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