A mesa era grande, tanto
Que por melhor que eu a pinte,
Não creem que em cada cauto
Cabiam perto de vinte.
Jogam pares; cada moço
Tem ao lado uma menina,
E jogam num alvoroço,
Que ninguém com o jogo atina.
— “32!” — “Silêncio!...” — “Diga!
Que pedra saiu agora?”
— “Cala a boca, rapariga!”
— “Nunca joguei tão caipora!”
— Vispora! — exclama um sujeito;
Mas, passada a exclamação,
Encosta na mesa o peito,
Dorme em cima do cartão.
Um velho em frente, um velhote,
Barbado, um velho sisudo,
(É preciso que se note),
O velho percebeu tudo.
O sujeito o cobre mama
E em breve, ó tu que me lês,
— “Vispora!” outra vez exclama,
E o velho diz: — “Outra vez?!...”