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1867–1909

O VÍSPORA

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

A mesa era grande, tanto Que por melhor que eu a pinte, Não creem que em cada cauto Cabiam perto de vinte.

Jogam pares; cada moço Tem ao lado uma menina, E jogam num alvoroço, Que ninguém com o jogo atina.

— “32!” — “Silêncio!...” — “Diga! Que pedra saiu agora?” — “Cala a boca, rapariga!” — “Nunca joguei tão caipora!”

— Vispora! — exclama um sujeito; Mas, passada a exclamação, Encosta na mesa o peito, Dorme em cima do cartão.

Um velho em frente, um velhote, Barbado, um velho sisudo, (É preciso que se note), O velho percebeu tudo.

O sujeito o cobre mama E em breve, ó tu que me lês, — “Vispora!” outra vez exclama, E o velho diz: — “Outra vez?!...”

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