O marido da Vicência,
Que mora em cima de mim,
Tenham santa paciência,
É cousa muito ruim...
Que barulho! Todo o dia
Ela diz que se despenca
Da janela. Que arrelia!
E ele dá-lhe pau em penca.
“Vizinho, eu berro, perdoe-a,
Vizinho, não seja mau!”.
— Não conhece esta saloia,
Esta fúria...” E lá vai pau.
Não durmo com tanto rolo,
Com tanta, tanta pancada!
Outro dia eles, num bolo,
Rebolaram pela escada...
Não senhor! eu já não acho
Que assim continue! pois,
Ou eles vêm cá p’ra baixo,
Ou vou p’ra cima dos dois.