Ao tribunal comparece
Manoel Fera, malfeitor,
Cuja vida se conhece,
Negra e pejada de horror.
Ouve o libelo terrível,
Sem sequer pestanejar:
Logo depois, impassível,
Diz que deseja falar.
— Fale, diz o presidente.
“Eu declaro ao tribunal
Que confirmo plenamente
Toda a acusação formal.
Nada nego! não há meio:
Assaltei, matei, roubei!
Mas o meu crime mais feio
É outro que só eu sei...”
Diz um jurado em voz alta:
“Isto custa a acreditar!
Diga: qual foi essa falta?”
“Ter me deixado apanhar...”