Dous irmãos eu nunca vi
Que se parecessem tanto
Como o Juca Bem-te-vi,
E o Pedro Pereira Canto
Cousa fora do comum!
Não eram dous, eram bis,
A cara de qualquer um
Era... como o povo diz...
Ao vê-los juntos, o povo
Exclamava: — “não distingo:
São como um ovo e outro ovo
Ou d’água um pingo e outro pingo.”
Até dizem que o Pereira
Teve disso a melhor prova,
Num dia de bebedeira
Levando uma grande sova,
Que vinha p’ra o Bem-te-vi;
Mas, de facto, a parecença
Era tal, que eu conto aqui
Um caso de graça imensa:
Uma vez, num dia santo,
Por não ter o que fazer,
Voltando p’ra casa, o Canto
Dá com o Juca com a mulher.
— “Bem-te-vi!” Ela “Meu bem!”
Juca a linha não perdeu:
— “Que é isso, repare bem,
Diga: qual dos dous sou eu?”
O Canto de boca aberta
Olha-o, olha-se e depois
Vai-se... O pobre não acerta
A saber qual é dos dous.