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1867–1909

IDENTIDADE

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Dous irmãos eu nunca vi Que se parecessem tanto Como o Juca Bem-te-vi, E o Pedro Pereira Canto

Cousa fora do comum! Não eram dous, eram bis, A cara de qualquer um Era... como o povo diz...

Ao vê-los juntos, o povo Exclamava: — “não distingo: São como um ovo e outro ovo Ou d’água um pingo e outro pingo.”

Até dizem que o Pereira Teve disso a melhor prova, Num dia de bebedeira Levando uma grande sova,

Que vinha p’ra o Bem-te-vi; Mas, de facto, a parecença Era tal, que eu conto aqui Um caso de graça imensa:

Uma vez, num dia santo, Por não ter o que fazer, Voltando p’ra casa, o Canto Dá com o Juca com a mulher.

— “Bem-te-vi!” Ela “Meu bem!” Juca a linha não perdeu: — “Que é isso, repare bem, Diga: qual dos dous sou eu?”

O Canto de boca aberta Olha-o, olha-se e depois Vai-se... O pobre não acerta A saber qual é dos dous.

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