Mestre Isidoro Pacheco,
(De alfaiate e não de escola)
Era um sujeito alto, seco,
Pelintra e muito gabola
Vivia com uma viúva
E pr’a agradá-la trazia
A roupa como uma luva,
E a cabeça luzidia.
Pacholava o Isidoro,
Levava uma hora no espelho,
(Queria arranjar namoro
O sem vergonha do velho).
E gabava-se o tal pulha
De ser um lince perfeito,
Que só enfiava agulha,
Dizia, de fundo estreito.
A viúva para oprimi-lo,
Um dia, diante de gente,
Apanhando-o mui tranquilo,
Disse-lhe tranquilamente:
“Pacheco toma esta linha,
Que hoje também vou coser,
E n’esta agulha fininha
Enfia-a, que eu quero ver.”
Pacheco põe mãos à obra,
Pacheco não dá cavaco,
Mas ou muito a linha dobra
Ou ele não vê buraco.