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1867–1909

FIASCO

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Mestre Isidoro Pacheco, (De alfaiate e não de escola) Era um sujeito alto, seco, Pelintra e muito gabola

Vivia com uma viúva E pr’a agradá-la trazia A roupa como uma luva, E a cabeça luzidia.

Pacholava o Isidoro, Levava uma hora no espelho, (Queria arranjar namoro O sem vergonha do velho).

E gabava-se o tal pulha De ser um lince perfeito, Que só enfiava agulha, Dizia, de fundo estreito.

A viúva para oprimi-lo, Um dia, diante de gente, Apanhando-o mui tranquilo, Disse-lhe tranquilamente:

“Pacheco toma esta linha, Que hoje também vou coser, E n’esta agulha fininha Enfia-a, que eu quero ver.”

Pacheco põe mãos à obra, Pacheco não dá cavaco, Mas ou muito a linha dobra Ou ele não vê buraco.

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