Gregório não é bocó,
Como pensa muita gente,
Anda galante e contente,
E trata-se a pão de ló.
Dá-se com muitos doutores,
E entre os seus familiares
Conta alguns comendadores,
Ministros e militares.
Ele os amigos não poupa,
E não perde ocasião,
E lhes garanto que não
Mete prego sem estopa.
Hoje bem cedo ele estava
Já de rosa na lapela
E não corria, voava,
Que canela, a i! que canela...
Em casa do conselheiro
Bate Gregório — “Quem é?”
— “Sou eu” e pé ante pé,
Sobe Gregório ligeiro.
— “Seja bem-vindo o amigo,
Que rosto formoso e ledo!
Você vem falar comigo?
Que quer de manhã tão cedo?”
— “É boa! quer pôr-me a panos?
Saiba sem mais falatório,
Que d’esta casa o Gregório
Veio desfrutar os anos.”