Era casado um gabola
Com um pancadão de mulher,
Que lhe punha tonta a bola
Por isso que eu vou dizer:
Cornélio (era este o seu nome)
Em triste jejum vivia
Porque embora tendo fome,
Nem um bocado comia.
Todo o mundo assegurava
Sua pesada abstinência,
E Cornélio tolerava
Tudo com santa paciência.
E a mulher sempre mais bela,
Cornélio com mais jejum,
Quando vem, sem mais aquela,
Um filhinho, apenas um.
Cornélio a todos se gaba,
Cornélio é todo pimpão.
(Quase que esta história acaba
Como a da gralha e o pavão).
Dizia Cornélio: — “Vamos,
Que têm agora a dizer?”
E eles: — “Nós não duvidamos
Nunca da tua mulher.”