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1867–1909

CORNÉLIO

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Era casado um gabola Com um pancadão de mulher, Que lhe punha tonta a bola Por isso que eu vou dizer:

Cornélio (era este o seu nome) Em triste jejum vivia Porque embora tendo fome, Nem um bocado comia.

Todo o mundo assegurava Sua pesada abstinência, E Cornélio tolerava Tudo com santa paciência.

E a mulher sempre mais bela, Cornélio com mais jejum, Quando vem, sem mais aquela, Um filhinho, apenas um.

Cornélio a todos se gaba, Cornélio é todo pimpão. (Quase que esta história acaba Como a da gralha e o pavão).

Dizia Cornélio: — “Vamos, Que têm agora a dizer?” E eles: — “Nós não duvidamos Nunca da tua mulher.”

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CORNÉLIO · Sebastião Cícero dos Guimarães Passos · Poetry Cove