O nosso amigo Mateus
Um dia se decidiu,
A roupa de ver a Deus
Escovou, pô-la e saiu.
Era demais! Quem atura
Tal desmoralização?
Não era tão caradura,
(E o homem tinha razão).
“Aqui estou, senhor juiz,
Eu sou casado com um raio.
Eu pago o mal que não fiz.
Casado d’aqui não saio.”
O juiz Mateus encara,
E o acha um homem de truz,
Não se lhe via na cara
Que carregava uma cruz.
“Porém que provas alega
Para o divórcio? A razão?...”
O Mateus as mãos esfrega
E diz, com a cara no chão:
“Quer melhor? Essa senhora,
Por quem agora me humilho,
Seu juiz, bota pr’a fora
Todos os anos um filho.”