Contou-me este caso o Arouca,
Que é um homem cabeçudo:
“Tu podes garantir tudo
Que sair da minha boca!
Eu entrei com tanta fúria,
Que não sei bem onde entrei,
Se foi numa casa espúria,
Se num palácio... não sei.
Mas cousas vão, cousas vêm,
E a brincadeira começa;
Francamente eu não sei bem
Onde estava com a cabeça.
Com certeza já não tinha...
Porque sentei-me sem ver,
N’outra cabeça (adivinha
Se de homem, se de mulher...)
E tão alheio ao que via,
Tão fora de mim (que bruto!)
Que no meio da folia,
De repente, que é que escuto?
— Vê lá se de assento trocas.
(Era este o seu estribilho)
Olha que tu me sufocas!
Por quem és, ergue-te, filho!”
E entre risadas confessa
O meu bom amigo Auroca,
Que a voz d’aquela cabeça
Saiu pela sua boca.