O Loduvino peludo,
Gatuno mui conhecido,
Era um cabra cabeçudo,
Disposto a tudo: atrevido,
Metia a cabeça em tudo.
E não era sem razão
Que da cabeça do tal
Falava a população;
Cabeça descomunal,
Respeitada e com razão.
Pois sabendo o ratoneiro
Que na casa da vizinha,
Que tinha muito dinheiro,
Quase junto do terreiro
O muro um buraco tinha,
De noite a cabeça empurra,
Sua, mas não dá cavaco.
Seu pensamento é a burra;
Levasse embora uma surra,
Não saía do buraco.
E foi pilhado em flagrante,
Correu lépida a notícia;
Apitou-se num instante,
E lá se foi o tratante
Pelo cós, para a polícia.
Sua defesa começa,
E, para atenuar a falta,
Para se livrar da peça,
— Dizia o grande peralta.
Que só metera a cabeça.