O José como caixeiro,
Era o que se diz— um alho;
Muito amigo do dinheiro,
Muito amigo do trabalho.
Com economiazinhas
Trazia ao dedo um farol,
Dormia com as galinhas,
Acordava antes do sol.
Chamou-o um dia o patrão:
— “Seu José, você merece,
Pela sua correção,
Particular interesse.
Vou lhe dar, repare bem,
A minha melhor partilha:
É sócio deste armazém
E é noivo de minha filha.”
Salta o José de contente,
Não cabe em si o José,
Ri-se, chora, vai p’ra frente,
Volta, gira num só pé...
— “Mas, escute, ela é bonita,
E’ rica, amada dos pais,
Mas, José, cousa esquisita...
Só aquilo... não tem mais.”
O José se desvanece,
E diz com ar bonachão:
— “Oh! por quem é, meu patrão
Ainda que ela tivesse...”