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1867–1909

A VOZ DO SANGUE

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos

Matou Courado a paixão Que o trazia sucumbido, Entregando o coração À Alexandrina Balão,

Que o recebeu por marido. Depois de um bom par de meses De pensar e mais pensar E discutir muitas vezes,

Os referidos fregueses Abalaram do lugar. Não os viu Deus com bom olho, Pois se um filho rechonchudo

Deu-lhes, era o tal pimpolho, Além de tudo, caolho, E mudo, acima de tudo. Conrado, que o filho adora,

Nana-o, beija-o, mexe, vira, Debalde suspira e chora, — Palavra não sai p’ra fora, Palavra alguma lhe tira.

Volta ao lugar do casório, E, logo, das nuvens cai; Pois, ao ver no consistório Da igreja o padre Libório,

Diz a criança: — “Papai!”

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