Foi um dia um grande vaso
Que num bom dia partiu,
E lá foi lampeiro; e o caso
É que ninguém mais o viu.
Não receia o irado oceano,
Não receia o vento: o mar
Trata-o bem: ele abre o pano
Sempre, sempre a navegar.
Doce é o céu à noite; ao dia
Brando é o vento, doce é o céu...
Parecia, parecia
Que todo o mundo era seu.
Eis em uma pedra — bumba!
Bate o casco... que foi? Mau!...
E em todo o vaso retumba
Esta voz: — “foi num calhau!
Comandante! comandante!
Calma, vamos, toca, atrás!
E ninguém vai p’ra adiante,
E ninguém sabe o que faz.
E o marujo: — “Que me parta
Um raio, se um dia eu vi
Esta pedra aqui na carta!”
— Pudera! Se ela está aqui!...”