Não ha nas Caldas
Melancolia,
Dão alegria,
Os ares seus.
Negras tristezas,
Adeus, adeus.
Sara-me a terra,
E não as águas:
Não curam mágoas
Os banhos seus.
Uns lindos olhos.
Que o dia aclaram,
Afugentaram
Os males meus.
Brandos sorrisos.
A furto dados
Fazem dourados
Os dias meus.
Se entra nos banho
Marília bela,
Entra com ela
O cego deus.
Ali tempera
Nas águas puras
As pontas duras
Dos fenos seus.
Enxuga as tranças
Da ninfa loura,
E n’elas doura
Os farpões seus.
Caldas ditosas,
Teu nome cresça,
Alça a cabeça
Até os céus.
O pobre Anfriso,
Que estas calçadas
Deixou regadas
Dos olhos seus,
Hoje em triunfo
De seus pesares
Levanta altares
De Gnido ao deus.
Negras tristezas,
Adeus, adeus.