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1740–1811

NAS MESMAS CALDAS

Nicolau Tolentino de Almeida

Não ha nas Caldas Melancolia, Dão alegria, Os ares seus.

Negras tristezas, Adeus, adeus. Sara-me a terra, E não as águas:

Não curam mágoas Os banhos seus. Uns lindos olhos. Que o dia aclaram,

Afugentaram Os males meus. Brandos sorrisos. A furto dados

Fazem dourados Os dias meus. Se entra nos banho Marília bela,

Entra com ela O cego deus. Ali tempera Nas águas puras

As pontas duras Dos fenos seus. Enxuga as tranças Da ninfa loura,

E n’elas doura Os farpões seus. Caldas ditosas, Teu nome cresça,

Alça a cabeça Até os céus. O pobre Anfriso, Que estas calçadas

Deixou regadas Dos olhos seus, Hoje em triunfo De seus pesares

Levanta altares De Gnido ao deus. Negras tristezas, Adeus, adeus.

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