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1740–1811

LILIA PERJURA

Nicolau Tolentino de Almeida

Voai, suspiros, Nos vagos ares, Único alívio Dos meus pesares.

Fostes de Lilia Agasalhados Quando o quiseram Benignos fados,

Quando em seus olhos, Trono das Graças, Tinham abrigo Minhas desgraças.

Hoje ensurdece A meus clamores, Toma por crime Ternos amores.

Olhos piedosos Lhe vi alçar, Fieis amores Lhe ouvi jurar.

Foram nas asas Dos mansos ventos. Os mentirosos, Seus juramentos.

Rival ditoso, Tens mal seguros De Lília os votos, Votos perjuros.

Fragosas penhas, Ermos rochedos, Qu’outrora ouvistes Nossos segredos,

Guardai o nome De Lilia bela, E os vãos suspiros Que eu dou por ela.

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