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1740–1811

DEFINIÇÃO DE CHANFANA

Nicolau Tolentino de Almeida

Comprada em asqueroso matadoiro Sanguinosa forçura, quente, e inteira, E cortada por gorda taverneira, Cujo cachaço adorna um cordão d’oiro;

Cabeças de alho com vinagre e loiro, E alguns carvões, que saltam da fogueira, Fervendo tudo em vasta frigideira, C’os indigestos fígados de touro;

Suavíssimo cheiro, o qual augura Grato manjar, mas que por causa justa Dá um sabor, que nem o demo o atura; Isto é chanfana, e sei quanto ela custa;

Deu-me o berço, dar-me-ia a sepultura, A não valer-me a vossa mão augusta.

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