Tirano mês, não te bastavam frios,
Nem vis catarros, de que vens armado?
Queres também que marchem a teu lado
C’os mandados nas mãos os senhorios?
Em podre trono de caixões vazios,
Na praça do depósito assentado,
Gostas de ouvir porteiro esganiçado,
Metendo a trote os aluguéis tardios?
Embora seja assim; malsins ingratos
Comboiem pela suja Cotovia
Os penhorados domingueiros fatos;
Mas não juntes o escárnio à tirania;
Não mandes que entre tantos desacatos
Te chamemos o mês da cortesia.