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1740–1811

AO MÊS DE JANEIRO

Nicolau Tolentino de Almeida

Tirano mês, não te bastavam frios, Nem vis catarros, de que vens armado? Queres também que marchem a teu lado C’os mandados nas mãos os senhorios?

Em podre trono de caixões vazios, Na praça do depósito assentado, Gostas de ouvir porteiro esganiçado, Metendo a trote os aluguéis tardios?

Embora seja assim; malsins ingratos Comboiem pela suja Cotovia Os penhorados domingueiros fatos; Mas não juntes o escárnio à tirania;

Não mandes que entre tantos desacatos Te chamemos o mês da cortesia.

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