Vens debalde, oh belíssima perjura,
C’o lindo rosto em lágrimas banhado:
Já fui por ti mil vezes enganado,
E sempre me afetaste essa ternura.
Esse alvo peito, que é de neve pura,
Mas de aço e fino bronze temperado,
Encobre um coração refalseado,
Um coração de viva rocha dura.
Em vão trabalhas, se enganar-me queres.
Vejo correr com ânimo sereno
Esse pranto em que fundas teus poderes:
Mal inventado ardil! ardil pequeno!
Tu mesma me ensinaste, que as mulheres
Misturam com as lágrimas veneno.