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1740–1811

A UNS OLHOS

Nicolau Tolentino de Almeida

Us teus vencedores olhos, Que honra à natureza dão, São a obra mais perfeita, Que saiu da sua mão.

Caem chuveiros de setas Sobre mil adoradores, Quando alçam as pestanas Teus olhos encantadores.

Seu olhar modesto e brando, Sua grave formosura, Ainda em peitos de bronze Inspiraria ternura.

Mas da ingrata natureza Desiguais as obras são; Que importa dar-te bons olhos Se te deu mau coração?

Zombando de ternos ais, A teus pés vês derramar Puras lágrimas ardentes. Que não queres enxugar.

Márcia ingrata, ouve os meus votos, Cede uma vez à razão; O mal que fazem teus olhos Pague-m’o o teu coração.

Mas falo a surdos ouvidos; A natureza severa, A quem deu olhos d’um anjo, Deu o peito d’uma fera.

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