Us teus vencedores olhos,
Que honra à natureza dão,
São a obra mais perfeita,
Que saiu da sua mão.
Caem chuveiros de setas
Sobre mil adoradores,
Quando alçam as pestanas
Teus olhos encantadores.
Seu olhar modesto e brando,
Sua grave formosura,
Ainda em peitos de bronze
Inspiraria ternura.
Mas da ingrata natureza
Desiguais as obras são;
Que importa dar-te bons olhos
Se te deu mau coração?
Zombando de ternos ais,
A teus pés vês derramar
Puras lágrimas ardentes.
Que não queres enxugar.
Márcia ingrata, ouve os meus votos,
Cede uma vez à razão;
O mal que fazem teus olhos
Pague-m’o o teu coração.
Mas falo a surdos ouvidos;
A natureza severa,
A quem deu olhos d’um anjo,
Deu o peito d’uma fera.