Podiam ser felizes meus amores
Quando por oiro o amor se não vendia:
Já de palavras Nize desconfia,
Só crê ou em dinheiro, ou em penhores.
Viu-me assaltado d’ânsias e temores
Quando na poria irada mão batia:
Por costume infeliz ela sabia
Que era algum dos cansados acredores.
Foram-se os dias bem-aventurados,
Em que só almas grandes, peitos nobres,
Eram do deus de amor agasalhados:
— Negro destino hoje preside aos pobres:
Pôs termo a bela Nize aos seus agrados,
Vendo esta bolsa condenada a cobres.