Arte infeliz, retórica chamada,
Ensino as tuas leis, mas não as creio
Ou nunca ergueste fogo em peito alheio,
Ou tu já hoje estás degenerada:
Da conjunção dos tempos ajudada,
Teu vão poder só dos acasos veio;
Na demanda fatal que em ti pleiteio,
Cícero mesmo não vencera nada.
Quero supor que a minha causa toma;
Veria então que a força dos destinos
Com força de palavras não se doma;
E a língua, que abrandou peitos ferinos,
Que os povos atraiu, que salvou Roma,
Me deixaria mestre de meninos.