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1857–1926

XII Ao violão

Múcio Scevola Lopes Teixeira

Morena filha da colúmbea terra, Lírio da serra, onde a poesia dorme, Há nos teus lábios muito mais frescura Que n’água pura do lajeado enorme.

Tu tens nos olhos mais fulgentes lumes Que os vagalumes nas doiradas asas; Como a falena a voejar em flores, Vais entre amores... e jamais te abrasas!

Ah! quem me dera n’essas níveas pomas, Ébrio de aromas, desmaiar de gozo... Entre teus braços me prender de zelos E em teus cabelos encontrar repouso!...

Morena filha da colúmbea terra, Lírio da serra americana, ardente, Tua voz, mais doce que o gemer da viola, Tudo consola... porque tudo sente!

Tu és o pouso, que o tropeiro errante, Que anda distante de seus caros pagos, Avista — à luz que no poente brilha — Junto à coxilha, por detrás dos lagos...

Tu és mais bela do que a imagem santa Que se alevanta no altar da igreja; Tens mais mistérios do que a cruz divina, Que na campina, solitária, alveja...

Morena filha da colúmbea terra, Lírio da serra, onde medita o monge... Pede-te um pouso, no teu seio amante, O viajante — que chegou de longe.

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