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1857–1926

XI Canto do monarca

Múcio Scevola Lopes Teixeira

Eu sou o moço Gaúcho, Valente como os mais guapos; Filho e neto de Farrapos, Republicano no mais!

Com o meu poncho de pala, E laço e bolas nos tentos, Vou mais ligeiro que os ventos Por sangas e bamburrais...

O rei, montado no trono, Tendo os ministros consigo, Não se compara comigo No dorso do meu bagual;

Se ele é rei — eu sou monarca! Se ele tem cetro dourado, Tenho o relho prateado E a cancha do meu punhal!...

Por Deus e por minha vida, Tenho uma vontade ardente Que ainda outra vez rebente Aqui — a revolução!...

Mostraria à baianada, Que treme, a morder cartucho, P’ra quanto presta o Gaúcho, N’um pingo de opinião!...

De vez em quando — aparece Um orador que se arrisca: E n’assembleia se prisca Para a banda popular...

Mas sempre encontra quem logo Comece a pelegueá-lo, Arme-lhe certo o pialo E faça o bagual sentar!...

Lá no Rio de Janeiro, Um jornalista de fama, Deixava tudo na lama... “Barbaridade!” — gritou!...

Mas encolheu as orelhas E deu-se por “afrontado” No capão d’um consulado, Onde se aquerenciou...

Hépucha, mano! Parece Que os sentimentos rodaram!... As crenças s’encurralaram... E o povo — murcha o garrão!

Estropeado e maceta, Empaca o patriotismo, E anda no passo o cinismo Por toda a povoação.

Eu, que sou moço largado, Valente como os mais guapos, Filho e neto de Farrapos, Republicano no mais;

Hei de correr a rebenque Os reiunos sem valia, Que, para mais picardia, São filhos de nossos pais!...

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