Onde o corpo não vai — projeta-se o olhar,
Onde para o olhar — prossegue o pensamento;
Assim, n’esse constante, eterno caminhar,
Ascendemos do pó, momento por momento.
Além da atmosfera e além do firmamento,
Onde os astros, os sóis, não cessam de girar,
Ha decerto mais vida e muito mais alento
Do que n’esta prisão mefítica, sem ar...
Pois bem! se não me é dado, em vigoroso adejo,
Subir, subir... subir — aos mundos que não vejo,
Porém que um não sei quê me diz qu’ind’hei de ver...
— Quero despedaçar os elos da matéria:
Perder-me pelo azul da vastidão etérea
E ser o que só é — quem já deixou de ser!...