Donde saímos nós?... Da sombra do mistério...
Aonde vamos? não sei: a cruz do cemitério
Pode ser uma porta aberta à eterna vida,
Mas pode ser também uma barreira erguida
Entre a luz e a treva!...
Assim, a humanidade
Caminha, sem saber para onde vai...
Quem há de
No Oceano fatal das dúvidas eternas
A sonda mergulhar?...
As bocas das cavernas,
Os olhos dos leões, o ventre dos abismos,
Têm ímãs, atrações, fluídos, magnetismos...
As ruínas ao luar e o interior dos templos
Produzem impressões mais fortes que os exemplos
Das severas lições!...
Em vão nós procuramos
Saber quem foi que deu às árvores os ramos,
Canto ao pássaro, aroma à flor, espuma à vaga...
A flama da razão bruxuleia e se apaga
Em plena escuridão!
Por essa noite escura
Passam as gerações do berço à sepultura.