O Poeta, hoje em dia, o pensador austero, Satirizando o Mal, a Realeza, o Clero, Sobe ao altar da Imprensa, o púlpito sagrado, — Lanterna que clareia os antros do passado,
— Estrela a cintilar em horizonte escuro, Guiando à eternidade os Magos do Futuro; E, abrindo às multidões as folhas do Missal Do Bem e da Verdade — a Bíblia do Ideal —
Desmoronando a Igreja e esboroando o Trono, Faz com que o Povo, o pária... a bocejar de sono, Inda esfregando as mãos nos olhos inflamados, Saindo dos lençóis revoltos, machucados,
Do leito sensual, ao banco do Trabalho... No Templo da Oficina, aonde é Cruz o Malho, Procure o seu lugar, bem como o guerrilheiro Ao lado dos heróis, nos campos do estrangeiro,
Quando é do fumo o ar, quando é de sangue a terra, Ao som provocador das músicas de guerra. É tempo de saltar da boca dos heróis O hino da vitória:
Os Novos Ideais, brilhantes como os sóis, Surgem... são as visões fantásticas da glória! Dois atletas estão lutando em agonia: A Treva com a Luz... a Noite com o Dia.
De um lado — a Ignorância, o pavoroso abutre Que rasga o próprio seio e com seu sangue nutre Os filhos do furor, do desespero insano Que chama-se Miséria — o grande Pelicano!...
D’outro lado a Instrução, a boa mãe, que ensina O caminho da Escola, as portas da Oficina, Aos filhos varonis, que a trabalhar, sem sustos, Seguem para o futuro alegres e robustos.
Não tarda a começar da Liberdade a Missa No templo da Razão: Vai-se desenvolver o tema da Justiça, À luz da Nova Ideia, ao sol — Revolução!...
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