Peregrinos na senda do mistério, Vamos todos rolar no pó funéreo Dos frios mausoléus... Não pode a frágil mão da humanidade
Arcanos desvendar da eternidade, Erguer tão densos véus. Há leis fatais, impostas pela sorte, Que nos condenam à mudez da morte,
À sombra d’uma cruz. Os dias passam, como as horas correm, Murcham as flores, como as crenças morrem, Como se extingue a luz!...
O riso de Voltaire queimou-me os lábios! Tenho a tristeza glacial dos sábios... Um ermo dentro em mim!... Contemplo a natureza, mudo e triste,
Porque vejo que tudo quanto existe Um dia há de ter fim. Tudo há de se acabar!... As sepulturas, Abertas para o céu, frias, escuras,
Esperam os mortais: De tanta aspiração que a mente inflama, Ficam somente os ossos sobre a lama... Ossos — e nada mais!...
É bem triste morrer!... Mais triste ainda É ver a esposa, carinhosa e linda, Na aurora do viver, Fechar os olhos para a luz da vida,
Dizer, chorando, o adeus da despedida... Partir p’ra não volver!... Muito cedo apagou-se, meu amigo, Na sombra lutulenta do jazigo,
A luz dos dias teus... Muito cedo no chão de um cemitério, Teu amor transformou-se n’um mistério, N’um segredo de Deus!...
Não há consolo para dores d’estas; Se a sociedade no vai-vem das festas, Insulta a nossa dor... No seio dos amigos inda achamos
Almas irmãs, que choram, se choramos, Amor p’ra o nosso amor!... Mas, se dá lenitivo ao sofrimento O pranto de um sincero sentimento,
Que em rosto alheio cai, Eu aperto-te a mão — e sabe agora Que, quem a tua dor lamenta e chora: Já não tem mãe nem pai!...
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