No Jardim dos Leões, diz Schiller que se achava A corte reunida em massa, e esperava Que o rei Francisco desse algum sinal co’a mão, Para surgir na arena o rugidor leão.
Em derredor do circo estavam agrupados Padres e cortesãs, duquesas e soldados, Misturavam-se aí as sedas dos vestidos Das deusas do bom tom, co’os paletós compridos
Dos dandys de luneta e luvas de pelica, Romeus... que andam atrás de Julieta — rica. O rei dá o sinal: range o portão de ferro, Tremem todos ouvindo um horroroso berro,
E surge n’esse instante, a passo firme e lento, O rei dos animais: a juba solta ao vento, O olhar a desprender lampejos inflamados, Garboso, a caminhar d’um para os outros lados,
Relanceia o olhar por sobre o povo inteiro E estende os membros seus no centro do terreiro. Novo sinal do rei faz outra porta abrir-se: E um rugido maior que o outro deixa ouvir-se...
Aparece na arena um tigre, n’esse instante Raivoso como um rei!... Bramido horripilante Solta o leão, torcendo a cauda, a contemplá-lo Com um olhar talvez capaz de atravessá-lo...
Atroa rudemente os ares!... E de novo Descansa o corpo enorme, olhando para o povo. Ao terceiro sinal novos portões se abriram E então de seus covis horríficos saíram
Dois leopardos mais, que investem destemidos Para o tigre — que assesta as garras... Aos rugidos Que desprende o leão, n’esse momento a erguer-se, Fitam-se os animais!... Era horrível de ver-se:
Arrojam-se ao leão o tigre e os leopardos! Vigorosos, cruéis, terríveis e galhardos, Estrangulam-se os bons guerreiros sem espada: A lutar e a rolar na arena ensanguentada!...
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