Reclinada sobre a sege,
Sorri, ao ver D. Juan,
Aquela formosa herege...
Aquela moça pagã.
E passa altiva, orgulhosa,
Nas almofadas do carro,
Tendo n’um corpo de rosa
Um’alma que é um escarro...
Se o seu olhar de veludo
Vê alguém chorar, sorri;
Descrê de todos, de tudo,
De Deus, dos homens, de si!
Rosa, tem pet’las e olências:
Os beijos mais os carinhos;
Quanto às muitas exigências,
Também tem a rosa espinhos.
Ressequida, estéril, árida,
Aquela alma é um Saara...
Às vezes — uma cantárida!
Outras — mármor de Carrara!...
Ai do louco que a acompanhe
Na noite da embriaguez...
— Voga em lagos de Champagne,
Mergulha em mar de Xerez!