Se houvesse uma palavra que exprimisse
Tudo o que sente um’alma de poeta,
Ou se um olhar ao menos traduzisse
Todas as lendas da paixão secreta;
Então feliz seria quem sentisse
Este fogo que eu sinto e que me inquieta...
Quem, chorando de amor, de amor sorrisse,
Na sombra da mudez a mais discreta.
A verdade, porém, é tão amarga,
Que quanto mais a aspiração se alarga
Mais longe devo estar — de quem procuro...
Ah! e ela não sabe... e eu não lh’o digo!
Mas... hei de ter comigo — quem consigo
Tem minh’alma, meus sonhos, meu futuro!