Passou... era orgulhosa e petulante,
Como o sol nas manhãs de primavera:
Tinha na voz sonora um tom vibrante,
E no seio — a erupção d’uma cratera!...
Lançou-me os grandes olhos, de relance,
E prosseguiu — silenciosa e bela —
Então... sombrio herói d’esse romance,
Mandei os meus desejos atrás d’ela...
Havia em seu olhar, límpido e forte,
Magnéticos fluídos luminosos...
Era olhar de leão, que sente a morte,
Contemplando os desertos arenosos!...
Nos seus gestos elásticos, felinos,
Tinha a vivacidade das serpentes;
E entre os lábios macios, purpurinos,
Colares d’alvas pérolas humentes...
No movimento rápido dos passos
Requebrava os quadris, como a Andaluza
Que por sob a mantilha move os braços,
Quando o Cid a seus pés estende a blusa...
O meu olhar, audaz como o bandido
Que entra, pé ante pé, n’um quarto escuro,
Através do cetim de seu vestido
Roçou na maciez de um seio duro...
Senti então arfar, voluptuoso,
Seu colo escultural da cor do jambo;
E de seu lábio trémulo, sequioso,
Como que ouvi os sons d’um ditirambo!...