Tens qualquer cousa de vago Na abstração d’esse olhar, Manso às vezes como um lago Visto em noites de luar;
Outras vezes cintilante, Como um broche de rubis, Ou a pedra de brilhante D’esse teu anel de onix.
Os fios dos teus cabelos São fibras d’um alaúde, Por onde passam meus zelos, Vibrando argentinos sons,
Na orquestra selvagem, rude, Das minhas inspirações. Há nos teus seios morenos, Macios como as maçãs,
Uns fluidos castos, serenos, Que parecem ser um misto Dos olhos de Jesus Cristo E o rir das nossas irmãs;
E um não sei quê de veludo, De plumagens e da arminhos, Umas redes entre uns ninhos... Uns nadas — que encerram tudo!
Teus pés são dois demoninhos, Mágicos prestigiadores, Que passam por entre espinhos Deixando rastros de flores!...
Tuas mãos, à semelhança D’alguma história encantada, D’essas que a gente em criança Adormece quando escuta...
Essas mãos são chaves d’ouro, Que abrem a porta da gruta, Onde repousa uma fada Por sec’los adormecida,
Até que um príncipe louro Vá n’um beijo dar-lhe a vida!... Quem me dera, ó minha amada, Quem me dera, ó meu tesouro,
Que tu fosses uma fada... E eu — um príncipe louro!...
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