Ri... e as vibrações dos risos argentinos,
Sonoras, petulantes,
São pérolas de alguns colares cintilantes,
Desfiadas, caindo em lagos cristalinos!...
Fala...e a gente escuta uma harmonia louca,
Confusa como os sons d’uma canção saudosa;
Parece ter um eco essa vermelha boca
Dos sons de um’harpa eólia, etérea, misteriosa.
Sua voz desperta sempre uma lembrança vaga,
Que um íntimo sentir, sem o sentir, resume;
Penetra-nos na alma... e pelo azul divaga
Como um subtil perfume!...
Olha... e a branda luz que doira-lhe a pupila,
Como um branco luar em pleno firmamento,
Derrama em derredor aquela paz tranquila
De um silêncio profundo em triste isolamento.
Falar-lhe deste amor... bem sei que, em vão seria,
Não ousarei, Senhora;
— Somente o palpitar do coração podia
Dizer-lhe o que dizer não sabe quem a adora!...