Ondina, minha Ondina! é muito cedo ainda, Para que possas tu compreender, ó linda! A sublime intenção d’esta singela oferta... É que um pressentimento horrível me desperta
A ideia de morrer bem cedo... — me perdoa, Se esta revelação sombria te magoa! Mas... nem eu sei: minh’alma está compenetrada De que em breve de mim não restará mais nada...
Além de uma lembrança em coração amigo, E um nome — que talvez nem leiam no jazigo! Deixo o teu nome aqui, para que quando um dia Eu dormir para sempre em cova escura e fria,
Vás, chorando, rezar na campa ignorada De um infeliz... por quem tu foste muito amada! Assim, se um dia tu, na sala de visitas, Do álbum folheando as páginas bonitas,
Demorares o olhar ante a fotografia De um pálido rapaz, cuja visão sombria Inspirar-te tristeza, e esse não sei quê... Isso que a gente sente, às vezes, quando lê
Castro Alves, Casimiro... ou mesmo as poesias De Álvares de Azevedo, ou de Gonçalves Dias... Se pensares então em mim, como em ti penso, Bem sei que hás de levar aos olhos o teu lenço.
Se outras vezes, sentada a um banco do jardim, À luz crepuscular — lembrares-te de mim... Pede à tua mãe que leia os versos d’este louco, Que amou e sofreu tanto... e que viveu tão pouco!
Se uma lágrima então rolar na face d’ela, Como gota de orvalho em pétala singela De purpurina rosa... oh! nem eu sei se o diga! Ondina, meu amor! minha inocente amiga!
Abraça-a, beija-a, sim! enxuga os prantos seus, Esconde o meu retrato... e rasga os versos meus!
Cookies on Poetry Cove