Assim como o cascalho em vão tenta ocultar-se
Na transparência azul dos lagos silenciosos,
Os pensamentos meus, os grandes criminosos,
Que riem-se a chorar... e vivem a matar-se!...
Procuram no meu crânio embalde concentrar-se,
Voam aos seios teus, trementes, voluptuosos...
E quais feras, rugindo em antros pavorosos,
Que a vítima aguardando espreitam-na em disfarce;
Contemplam-te da treva e na mudez te falam...
E como os vagalhões que no rochedo estalam,
Atiram-se a teus pés... volvem ao peito meu!
Seduzes como um crime e atrais como um abismo...
Teus olhos, sóis — girando em céu de magnetismo,
São abutres sensuais... e eu — um Prometeu!...