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1857–1926

III Crepúsculo matinal

Múcio Scevola Lopes Teixeira

Quando a luz d’alva desata Rubras fitas pelo azul, Chora lágrimas de prata O firmamento do Sul!

Os pingos d’água, trementes, Caindo sobre as canhadas, — Essas pérolas algentes Do colar das madrugadas...

Os frios globos de orvalhos, Como uns rosários de luz, Das folhas descem p’ra os galhos... Dos galhos p’ra os troncos nus!...

E brilham, de manhã cedo, No verde manto dos campos, Como om sombrio arvoredo Cardumes de pirilampos...

Saem as aves dos ninhos, Saem as sombras do val; — Na orgia dos passarinhos Rompe a orquestra matinal!

Nos rincões ou nas quebradas As feras buscam abrigo... Como tropas debandadas Por exército inimigo!

E o sol, — eterno vaidoso — Abre as janelas do ar... E vai mirar-se garboso Na superfície do mar!

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