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1857–1926

II O pampa

Múcio Scevola Lopes Teixeira

Pampa é um mundo novo, o Eldorado Das quimeras de um cérebro beijado Por colúmbeas visões!... Tem imensas planícies viridentes,

Límpidos lajeados transparentes, Inóspitos rincões! No topo das coxilhas verdejantes, Os pinheiros atléticos, gigantes,

Vigorosos e nus, Abrem os braços — distendendo os galhos, Talvez pedindo às noites mais orvalhos... Aos dias menos luz!...

São eles as perdidas sentinelas, Que anunciam a vinda das procelas, À vanguarda dos céus... Como mastros de naus bem arvoradas,

Resistem dos pampeiros às rajadas, Em plenos escarcéus!... N’aqueles solitários descampados, Outr’ora os índios fortes, bronzeados,

— Os indígenas nus — Envergavam os arcos, disparando As setas, que voavam, sibilando, Nas vastidões azuis...

E as caboclas, morenas e lascivos, Ao pôr do sol ficavam pensativas, Choravam sem querer... Talvez lembrando os juvenis guerreiros

Que — a ficar noutras tabas prisioneiros — Preferiram morrer!... Foi aqui que os FARRAPOS invencíveis Escreveram poemas indizíveis,

Que traduzir não sei... Quando de Trinta e Cinco os lutadores Tentaram esmagar uns vis senhores... E um despótico rei!...

Nunca viste um Gaúcho soberano, Mais rápido que o vento minuano, O régio vendaval?... Ele transpõe coxilhas e canhadas,

Solto o pala dos ventos às rajadas... No dorso do bagual!... Vou descrever os usos e costumes Dos meus pagos natais, sem ter ciúmes

Das outras regiões... O Pampa é um mundo novo, o Eldorado Das quimeras de um cérebro beijado Por colúmbeas visões!

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