Pampa é um mundo novo, o Eldorado Das quimeras de um cérebro beijado Por colúmbeas visões!... Tem imensas planícies viridentes,
Límpidos lajeados transparentes, Inóspitos rincões! No topo das coxilhas verdejantes, Os pinheiros atléticos, gigantes,
Vigorosos e nus, Abrem os braços — distendendo os galhos, Talvez pedindo às noites mais orvalhos... Aos dias menos luz!...
São eles as perdidas sentinelas, Que anunciam a vinda das procelas, À vanguarda dos céus... Como mastros de naus bem arvoradas,
Resistem dos pampeiros às rajadas, Em plenos escarcéus!... N’aqueles solitários descampados, Outr’ora os índios fortes, bronzeados,
— Os indígenas nus — Envergavam os arcos, disparando As setas, que voavam, sibilando, Nas vastidões azuis...
E as caboclas, morenas e lascivos, Ao pôr do sol ficavam pensativas, Choravam sem querer... Talvez lembrando os juvenis guerreiros
Que — a ficar noutras tabas prisioneiros — Preferiram morrer!... Foi aqui que os FARRAPOS invencíveis Escreveram poemas indizíveis,
Que traduzir não sei... Quando de Trinta e Cinco os lutadores Tentaram esmagar uns vis senhores... E um despótico rei!...
Nunca viste um Gaúcho soberano, Mais rápido que o vento minuano, O régio vendaval?... Ele transpõe coxilhas e canhadas,
Solto o pala dos ventos às rajadas... No dorso do bagual!... Vou descrever os usos e costumes Dos meus pagos natais, sem ter ciúmes
Das outras regiões... O Pampa é um mundo novo, o Eldorado Das quimeras de um cérebro beijado Por colúmbeas visões!
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